desviante ou Glory Box

[corpo vibrando na contramão da sua idealização.]

 dispositvo para experimentar

e pensar como criamos e atualizamos nosso corpo o tempo todo, com as informações que nos atravessam,

um convite para pensar o desvio, o desajuste.

A dança, impregnada de desejos, sensações e emoções contagia seu entorno, a proximidade da performer com o público e as situações criadas nesse encontro convida a todos a habitarem um espaço reflexivo e menos impositivo[segregador.

É criado[a um[a espaço[situação onde cabem devires, onde cabe borrar as fronteiras da normatização de gênero, onde cabe questionar a imposição de padrões estéticos[comportamentais, onde cabe aceitar o ridículo e onde o que está reprimido pode aparecer, ser vivenciado e se transformar.

O público participa[testemunha d[a invenção de uma corporeidade subversiva, perceptiva e emocional;

que vai dando corpo à uma presença engajada em experimentar danças, imaginários, gestos, encontros e desejos.

O corpo percorre o espaço e acidentes constroem poéticas de desvio. A sensação física do contato da pele com os itens da

Glory Box*, as ações de [des] vestir, a ação de olhar [e ser visto], pegar objetos, pausar, parodiar os coropos das mulheres na mídia, a ação de compor imagens, os desejos, as inquietações e sinestesias provocadas pela trilha sonora,

a sensação do ambiente criado pela iluminação, a relação com o tempo do “click” do fotógrafo, a arquitetura,

a tentativa de resistir e subverter a objetificação do corpo que dança, a repetição de gestuais e coreografias de divas do pop,

o tentar falar, tentar se comunicar pelo olhar, a respiração;

tudo fricciona e cria[atualiza o corpo e compõe uma dramaturgia inadequada

onde se busca desestabilizar as certezas impostas e aderidas aos corpos femininos.

Ao questionar figuras femininas idealizadas e intocáveis, apresenta-se um corpo que se entrega para ser tocável

[para tocar e ser tocado]

 

Concepção, criação e performance: Nina Giovelli/ Trilha sonora: Otávio Carvalho/ Iluminação: Cauê Gouveia/ Arte gráfica, foto e vídeo: Pedro Ivo Carvalho/ Produção: Thaís Rossi.

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